domingo, 5 de março de 2017

O Silêncio, o Nada e a Devoção.

Em depressão estava eu lendo ao mesmo tempo psicanálise, física quântica e Krishnamurti quando percebi, devotada a Santa Maria, a presença do observador em minha interioridade e experimentei a alegria ingênua e pura de quem se liberta de si mesma.

Nesse mesmo momento meu Instinto curioso, investigativo, pesquisador traçou novos rumos, novos caminhos se abriram em minha biografia. Em rasgos passados, novas rupturas dilaceravam minha vida, sedimentada e ressecada ao sol da razão prática, pragmática, bem sucedida.

Enterrada viva germinei. Como quem despreguiça, nasço mais uma vez “Macunãoéimã”. Antes a Bíblia, agora a psicanálise, física quântica e Krishnamurti, além da devoção.

Sem perder jamais os instintos, encontrei na meditação, instrumento poderoso que me ajuda a drenar a energia do Ego para a devoção e a psicanálise, ao ponto de alcançar a disciplina que permite que o Nada se faça Presente, inclusive quando em estado de alerta do Instinto Egóico.

Depois de reorganizar minha relação com a interioridade, acolhi a meditação enquanto estado de mergulho no Agora e venho acrescentando com o tempo algumas práticas de ioga, como a posição de Buda, a atenção as virtudes, o estudo da sabedoria ancestral.

Orar e vigiar. Estar em diálogo interno com os céus e em estado de alerta com o mundo é meditação. Porém, na maior parte do tempo o diálogo interno acontece entre 2 personagens projetados de forma hipnótica na realidade interior, de um lado quem pensa e de outro a resposta emocional diante da projeção instantânea de imagens do que se pensou. falamos sozinh@s enquanto calad@s.

Com Osho descobri que o silêncio que praticava com Krishnamurt era falso. Fechar a boca não é suficiente para calar a fala em mim. Passei a entoar o mantra “Não seja falsa, ridícula, sentada que nem Buda e tagarelando sem parar. O silêncio. O Nada. A devoção. Mergulhe!” Mas, só ficou perfeito quando acrescentei o foco na resPIRAÇÃO. "Ouvir o silêncio. Olhar o Nada. Sentir a respiração."

Quando o diálogo interior acontece com a Divindade, a Sabedoria, a Verdade, ainda que estejamos projetando as respostas encontradas nos Estudos e por isso falsas, será aprazível monologar e por isso mais difícil de despertar a hipnose.

Mas, liberdade mesmo está em Me reconhecer como quem não sabe, num mundo que sabe menos ainda que EU e Me abrir O VAZIO para escutar a resposta que vem do silêncio inesperado, anunciada na vida.

Cega e sem guia, sigo eu e o mundo em mim... 

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Só é democracia se for participativa!

Estamos vivendo um momento social muito importante, nunca tivemos tanto acesso a informação, nunca houve tanta luz, as trevas nunca estiveram tão reveladas. É chegado o momento de deixar cair a ilusão.


Votei pela primeira vez antes dos 18 anos, sofri a indignação da traição a cada nova eleição. O político candidato é a solução, depois de eleito, ladrão. Depois do Lula decidi analisar criticamente como tudo isso funciona.
O que observo são alianças utilitárias transferindo votos dados ao legislativo entre partidos ideologicamente antagônicos, em regras tão difusas que é impossível ao eleitor comum saber para onde foi seu voto.
O que observo são candidatos rejeitados nas urnas, assumindo cargos de secretários, ministros e gestores de instituições públicas.
O que observo são legisladores eleitos abandonando seus mandatos em favor de suplentes que nunca receberam um voto na vida.
O que observo são candidatos ao executivo abandonando compromissos e ideologias no correr do mandato sem qualquer constrangimento. Abandonando mandatos aos vices para lançar nova candidatura atendendo a estrategias utilitárias partidárias.
O que observo são campanhas eleitorais tratadas como um negócio onde ganhar ou perder não se traduz na posse do cargo, mas em acordos e influências pós eleitoreiras, feitos à custa da administração pública.
Nesse ponto entendi que os eleitores são a parte simbólica e utilitária, esse sistema ao mesmo tempo que cria a fantasia da participação política, transfere a responsabilidade a população pela incapacidade moral, ética e ideológica das elites políticas, econômicas, religiosas e acadêmicas.
Entendi, também, que ao decidir preencher os cargos de comando no território por meio de campanhas publicitárias, de 2 em 2 anos a sociedade se divide em grupos rivais que,ao invés de somarem esforços para vencer o enorme desafio que é manter uma população diversificada e desigual compartilhando o mesmo meio ambiente, promovendo o fortalecimento mútuo indispensável para vencer a ameaça de ataques vindos de outros territórios e das próprias mazelas da natureza, inclusive a humana, procuram se destruir mutuamente.
Nesse ponto entendi, também, que existe uma outra política acontecendo distante da grande mídia e da política eleitoreira, conheci os movimentos populares, que atuam em campanhas ininterruptas, sem grandes cisões internas durante a eleição, resistindo a elas e somando conquistas silenciosas mas consistentes: movimento de mulheres, afrobrasileiros, ambientalistas, gays, agricultores familiares... pouco importando o resultado das urnas.

DEMOCRACIA ACONTECE COM PARTICIPAÇÃO.
Nesse ponto comecei a exercitar meu ser político em fóruns, conselhos, sindicatos, reuniões de condomínios, jornais de bairro, enfim, todos os espaços onde o exercício político se faz diretamente.
Com consciência, é isso!

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Um ACORDO, um ACORDE, um ACERTO


  

Eu era criança quando meus pais romperam com a cultura evangélica, tradição na família a duas gerações e assumiram a cultura “do mundo” com suas tradições comerciais, passando a orientar suas virtudes para ganhos materiais, conquistando o “céu” aqui mesmo e antes da morte. Estavam convencidos de que Deus não passava de invenção de homens para dominar homens...                     

O tempo passou, o suor trouxe prosperidade. Quando chegaram os netos, meu pai passou a vestir-se de Papai Noel para garantir a alegria das crianças e ficava tão convincente que os vizinhos passaram a deixar os presentes de seus filhos com ele na véspera para que o bom velhinho visitasse suas casas.


Quando meu sobrinho cresceu, chegou o momento de contar a ele a verdade e desfazer a fantasia. Pense numa criança frustrada, indignada, magoada, traída. Durante alguns natais, toda vez que ele passava por um homem fantasiado de Papai Noel, cercado de criancinhas, gritava: _ Falsário! E procurava alertar os inocentes: _ Papai Noel não existe! É tudo mentira!

São muitas as fantasias que orientam nossa cultura e nem sempre sabemos lidar com a revelação da verdade e amadurecer com o mito. Meu mundo encantado chamava-se ESTADO DEMOCRÁTICO REPRESENTATIVO, criado para nos libertar dos tiranos... Lembro-me de, na infância, brincar de escritório com os panfletos que jorravam nas ruas durante as eleições, das discussões acaloradas dos adultos, as bandeiras coloridas, distribuição de camisetas, uma festa... 


O primeiro voto a gente nunca esquece. Votei no “Caçador de Marajás”!

Bons cidadãos dedicam-se a seus projetos pessoais – casar, ter filho, escrever um livro e plantar uma árvore – enquanto políticos eleitos estão trabalhando para garantir segurança, educação, alimentação, moradia, transporte, lazer do coletivo... igualdade, fraternidade, liberdade! 

Trabalhar, pagar impostos e votar:  _Não pense em crise, trabalhe!

A verdade me foi revelada no curso de Ciências Sociais, depois de ler livros como O Abolicionismo, de Joaquim Nabuco (www.culturabrasil.org/zip/o abolicionismo.pdf), A Ética Protestante e o Espírito Capitalista, de Weber, de entender a diferença entre Estado (responsável pelo serviço público, sempre sucateado) e Governo (grupos orientados pelo poder de controlar pessoas, riquezas e terras. Violento e mentiroso.). A descrença tomou conta de meu ser, deixei de votar. Estou entre os 29% da população que em 2014 não votou.

Foi duro reconhecer que ninguém está cuidando de minha segurança, ou da educação das crianças... Papai Noel não existe! É preciso arregaçar as mangas e fazer o trabalho que precisa ser feito. É preciso ser a mudança que quero ver acontecer no mundo. Participo das decisões políticas em Conselhos, Fóruns, Consultas Públicas.

Ou a gente faz parte da solução ou somos o problema.


terça-feira, 15 de março de 2016

Os porões ideológicos da ditadura.

“Eles venceram e o sinal está fechado para nós...” até quando?

Gostamos de citar a Revolução Francesa como sendo o ideal sobre o qual se constrói o pensamento político moderno brasileiro, nossa constituição tira dali a ideia de Estado Laico, com “independência” em relação a Igreja, porém 217 anos e milhares de mortos não foram suficientes para efetivar essa ideia na França, muito menos no Brasil.

Sem alarido, seguimos política e economicamente as regras inglesas desde a vinda da família real, que aqui chega escoltada pela marinha anglicana em 1808 (COM A IMPRENSA, A BIBLIOTECA NACIONAL, O BANCO CENTRAL E O JARDIM BOTÂNICO). País que segue com a monarquia e dando poder político aos religiosos cristãos até os dias atuais. Com uma Constituição não-escrita, seguem prerrogativas reais (da realeza...) ou seja, o pensamento de quem segue as leis escritas na Bíblia.

Depois de 1.000 anos tendo suas cabeças (que nem podemos chamar de pensantes), sob o domínio absoluto e a serviço da retórica encontrada nos livros dos antigos hebreus (e sob orientações do romano de Tarso), a restrita elite européia “protesta”, “renasce” e... escolhe retroceder a pensamentos tão antigos quanto os da Bíblia e igualmente fragmentados: Platão, Aristóteles, Pitágoras. Quando poderia, e ainda pode, ir mais além... (se abrir para a cultura oferecida pelo “novo mundo” ou mesmo pela Índia, China, tão antigas quanto aquelas porém vivas... mas, não.)

O inglês Thomas Hobbis, em seu Leviatã, afirma que o homem é naturalmente mau, inclinado a disputas, inveja e injustiça e assim propõe o “novo” Contrato Social inquebrantável, Sistema Político onde todos devem abrir mão da própria autonomia em nome do Estado, único soberano que deve se impor pela força violenta, monopólio autorizado a priori e inquestionável. Concordando, não coincidentemente, com a visão de mundo imposta por 1.000 anos em sua ancestralidade: a versão de pecado original. Sendo que o Deus que se deve temer não manda mais dilúvios e pragas, bota o exército na rua.

ESSA É A IDEIA QUE SE OPÕE A DE DIREITOS HUMANOS UNIVERSAIS, e que está na cabeça daqueles que rejeitam Paulo Freire: a Bíblia de acordo com a interpretação religiosa. Os direitos não são para todos os humanos, mas apenas para quem está no mérito da graça, quem faz parte da família escolhida por "Deus".

Simples assim, chegamos até aqui sem sair do lugar.

Em nossa DEMOcraC.I.A. a elite capital se parte em Partidos e oferece aqueles dentre eles, iguais a eles, da família deles, (antes servos agora) assessores deles, educados, doutrinados e aprovados méritos por eles em quem o povo deve votar.

Prudentes, dos 3 Poderes Políticos considerados no Estado, concedem ao povo a escolha do cabeça do Executivo, mas distribuem o corpo (ministerial, de Secretários e Assessores) entre seus clientes, sem arbítrio popular; já no Legislativo fazem o oposto, oferecem o corpo ao povo (mas, usam a estratégia de nomear os eleitos para cargos no Executivo, assumindo suplentes o poder que nunca vieram pelo voto e assim o Partido garante o controle de todo o corpo legislaDOR) e escolhem o cabeça que preside Assembleias, Câmaras e Senado; e o Judiciário, único com poder de repressão legítimo sobre tudo e sobre todos pertence totalmente a elite, educada por ela, privilegiados como semi-deuses. Acima do bem e do mal e indiferentes ao Brasil real estão os Magistrados desse país.


Nós e os outros – a elite sabe perfeitamente identificar quem é igual a ela: aqueles que se sabem escolhidos (nasceram na família certa ou sacrificaram sua origem cultural e se converteram, aceitando a regra do jogo, conquistando salvação) com privilégios diante de Deus, Poder sobre toda a criação...

Como está no Gênesis. 
(E nós mulheres?... Bem, temos muito trabalho pela frente!)

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

A lua que me socorre!

Venho namorando a lua faz muitas encarnações
Quantas lágrimas... seivas tantas.
Verti diante dela amor.
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Guardo mestres no caminho. Com Pai Agenor aprendi que toda atenção deve ser dada a direção que o caminhar da vida toma, o sentido para onde ela está nos levando. Aprendi também que o que mais se deve evitar é o ciúme, pois ciúme disfarça a inveja. São a mesma vibração energética, uma disfarça a outra.

A cultura familiar CULTUADA diante da massa, colocada no senso comum, reforçada em novelas e canções, toda produção oferecida no mercado apresenta o ciúme como característica daquele que ama, servindo também para medir intensidade do sentimento e do vínculo amoroso.

Que mal (doentio).

O ciúme pode ser expresso sem constrangimento nessa cultura, seja por um bem material, ou cachorro; pelo filho, ou irmão. Mais do que banalizado, motivado, desejado, respeitado: Impõe limite de Propriedade.

Em contrassenso, a inveja é abominada.
Recalcada, empurrada para o inconsciente e de acordo com meu entendimento diante da fala de Pai Agenor, retorna como ciúmes.

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Sem objeto amado, ainda existe amor. Sem amor o objeto, por mais bem tratado que possa ser, é apenas objeto.

A violência precisa ser melhor debatida em nossa sociedade. (Perdemos o faro.)
Precisamos rever o padrão de nosso status quo inconsciente.

É violento sentir inveja, querer para si o que é do outro, achar ruim que o outro tenha o que você não tem, se doer com a alegria do próximo. 

É constrangedor sentir ciúmes, se abalar pelo risco de deixar de ter, quando deveria agradecer o ter no ser; sofrer ao reconhecer no outro potência receptiva diante do bem que se tem.

É triplamente violento ciúme de humano (e em nome do amor): violência contra a humanidade do ciumento, que reduz o valor da própria vida, incondicional da criação, de per si no ser, por negativas impostos a vida a partir de preferências sensoriais e culturais de mentes e corpos, de per si no ter; violência contra a humanidade do outro, feito objeto, igualmente negado o ser pelo ter e violência contra o amor, qualidade única do viver no ser, pertencente apenas ao mistério e submetido apenas ao poder da criação, negada expressão no ser. 

Passagens.
Caim mata Abel por ciúmes.
Jornais noticiam, matamos por ciúmes de nosso carro e de nossa mulher (vibramos com a morte do ladrão), abandonamos crianças por ciúmes, brigamos com nossos irmãos por ciúmes de nossos pais, que brigam por ciúmes “dos outros”...

Se isso é amor, como será a simpatia?

Não só sentimo-nos no direito a ter ciúmes, munimo-nos de poder com ele,exigimos respeito a dor do amor. Achamos tudo isso tão lindo que queremos isso para nossos filhos. Gostamos de vê-los com ciúmes de nós, com ciúmes do brinquedo.Vivemos alimentando ciúmes e depois não entendemos o porquê de nossa tensão diária, o mundo violento, mesquinho e superficial que conVIVEMOS para além de nossas muralhas, que justifica de fora para dentro o que vem construído de dentro para fora.

(Mas, se cai em si o pecador, pode reconhecer na dor desILUSÃO apenas. Como que por escape e em silêncio constrangido, buscar na gratidão à própria humanidade o apoio que lhe cure a dúvida diante da vida. Então, o amor retoma o movimento, reafirmando e requalificando a aliança entre HUMANOS, dinamicamente ajustada a experiência vivida, ficando nas brumas da compreensão madura, o movimento das tramas tantas do Cosmo em cada Um de Nós.)
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Então, me pergunto: o que é ser humano?
Então, me respondo: é virtude
INcondicional rePRESA.

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Coisas! Coisas! Coisas!
Pelo direito a ser coisa!
Tenham ciúmes de mim!
Negue a vida por mim!
Se você negar a Sua e eu negar a Minha seremos uma família unida até a morte! Iurruu!
Por Minha família: mato!
Por Minha família: morro!
Por Minha família trabalho, trabalho, trabalho!
Por Minha família compro, compro, compro!
Por Minha família sigo em frente...

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Então, me pergunto: para onde?
Então, me respondo: paroaqui.


quarta-feira, 18 de março de 2015

Qual a moral da História?

Qual a moral da História?

Para ter livre acesso a realização de suas necessidades básicas, indispensáveis e elementares é preciso nascer na terra com vigor, apenas isso. O mundo inteiro é conhecido. Sem mérito nascemos igualmente defeituosos. quanto mais saúde, mais trabalho. quanto mais inteligente, mais desafios.

Precisamos ver o "nós" contido no "eu" e desentender o "eles" antes de fazer filhos (e leis). Nascemos todos para servir a todos enquanto nós mesmos. Viemos ao mundo, nascemos, é tudo o que sabemos acontecer depois que fecundamos o óvulo e contraímos o ventre. Acolher-mo-nos chegados do mistério que antecede a qualquer e toda vida. Do mistério que atua antes da ciência, para que haja ciência.

Porém, baseados na diferença de escolaridade, erudição ocidental, parentesco, línguas e bundas, amor e pudor, direitos e privilégios são impostos. Força de vida e de morte distribuída por quem?

O mando. O mandato. O ato. O candidato.

Conhecer a biografia de Gandi, o Mahatma, ajudou-me a perceber o que é libertar da colonização não uma nação, mas o território, incluídas distintas nações nascidas naquele ambiente. Formas de experiência de vida, sedimentadas em religiões, enraizadas ali, na liturgia, nas redondilhas repetidas com as estações do ano, cada qual vendo suas certezas no céu, nas nuvens brancas onde desenhamos deuses e nas estrelas onde encontramos números, sentidos e medidas.

As Américas absorvem a dominação, a legalidade mau deixou a escravidão, o ímpeto de exploração colonizadora ainda nos dá sentido...  Um só representante para um diversificado povo que não se entende ainda na primeira pessoa?

O mando. O pai. O patriarcado. O marido. O presidente.

O que faz acreditar poder ensinar e aprender a controlar instintos animais? Natureza não se educa. Se doma. Se domestica. Se domina. Se cativa.

A moral da propriedade privada marcada antes na alma que na carne.

Família... cativeiro sexual, criativo, afetivo, produtivo, doméstico, maternal é o padrão dos bons costumes. Espírito domado. A incompreensão quanto ao real teor da fidelidade conjugal faz gerações inteiras perderem-se em egoísmo pactuado.

A emoção de ver a própria natureza humana, o bem incondicional que nos habita, vertendo diante de outro ser humano é domada pela apropriação da potência amorosa pela exclusividade, perde-se na alienação doméstica da sobrevivência, para se justificar no mérito do acúmulo de bens.

Grotescamente substituído ser por ter.

O que as vibrações entendem do tipo de anel usado?
Como evitar o brilho do olhar?
Os cheiros que exalam, devem fidelidade a quem?
Repressão, depressão, opressão.
Ô pressão!

Como perguntar por camisinha?
Como perguntar se ela tomou a pílula?
Como assumir a maternidade sozinha?
Como assumir o aborto sozinha?
Depois de toda putaria, como assumir a paternidade?
Sem morada, como assumir a parida com a cria?
Como sair dessa... (?)Violência.

Quem controla a violência?
Quem educa à violência?
Quem poderá cativar, domar a violência?

Docilizá-la poderá diminuí-la,
poderá dopá-la, mas nunca estará domada.
Quem dosa a dose?

Render-se é preciOso.

Patriotas: crias da pátria, herdeiros do patriarcado.



O que faz com que um ser humano sinta-se, acredite-se, autorize-se mais merecedor do que outro ser vivo, de estar vivo, ao ponto de mandar tirar a vida do outro ser? Encarcerar? Exilar? Em nome da traição, desobediência, infidelidade, roubo. Escandalizados, escandalizam. Culpam culpados. Pedem punição.

Legitimam suas intenções apresentando-se honestos. Identificam a Instituição Estatal Militar como sendo aquela em quem confiam, entre todas as outras, para fazer a “limpeza” ética, moral, institucional. Avalizam. Que venham inclusive do estrangeiro, preferem até mais que as Forças brasileiras, menos confiáveis em eficiência. Afirmam publicamente que os militares são confiáveis, desde que sob seus comandos. Dão as ordens, tiram e botam, no trono e no tronco, são a audiência. A nação a seus serviços.

Diapasão da cultura ideal brasileira. Ocidentais autênticos, lidos e escritos. Síntese de nossa melhor identidade, são esses que pedem a volta da intervenção militar.

Nossa polícia militar está com a moral e a ética ilibada porque não roubam dinheiro dos cofres públicos, mas de “bandidos”. Roubam vidas, mas de outros, diferentes deles, ainda que entre eles.

Cada arma que atira em nosso território sem registro de entrada, passou pela fronteira, passou pelo controle das forças armadas nacionais... eficiente e honestamente. Mas nem por isso tal classe perde a moral diante dos “verdadeiros patriotas da nação”: podem fechar o Congresso e mandar parar de tocar a banda, acabar com o carnaval.

Matam e morremos a cada momento em que calamos a vontade, cegamos a verdade, negamos a consciência viva em nós, iguais.

Confundimos medo e amor pelas emoções herdadas da mãe. Medo e acolhimento. Medo e afeto. Medo e segurança. Herdamos medo de dores ancestrais. Mas, estamos livres.

A liberdade de associação é algo absolutamente novo para nós, humanos livres sobre o novo mundo. Globalizados, mas em terras americanas. Mal começamos a participar do poder pelo voto e a escolher marido. As leis que herdamos não nos representam. Os políticos eleitos, sim. Votados foram, todos eles, o melhor que pudemos escolher diante de um SISTEMA DE ESTADO TOTALMENTE CORROMPIDO, já foi pior. Precisamos ir mais além!

Agora vão as ruas e pedem que sejam retirados a força: retirem a presidenta e fechem o congresso, queremos entregar o país antes que o povo torne o Estado legítimo!

"Please, sequestradores, não deixem que me libertem de vocês, escolhi um cativeiro muito maneiro para mim, com grades consagradas pela mídia. Trabalho naquilo que me dá prazer, como comida agradável e sou só tecnologia, minha zona é confortável."