Em depressão estava eu lendo ao mesmo tempo psicanálise,
física quântica e Krishnamurti quando percebi, devotada a Santa Maria, a
presença do observador em minha interioridade e experimentei a alegria ingênua
e pura de quem se liberta de si mesma.
Nesse mesmo momento meu Instinto curioso, investigativo,
pesquisador traçou novos rumos, novos caminhos se abriram em minha biografia. Em
rasgos passados, novas rupturas dilaceravam minha vida, sedimentada e ressecada
ao sol da razão prática, pragmática, bem sucedida.
Enterrada viva germinei. Como quem despreguiça, nasço mais uma vez “Macunãoéimã”. Antes a Bíblia, agora a psicanálise, física quântica e Krishnamurti, além da devoção.
Sem perder jamais os instintos, encontrei na meditação, instrumento poderoso que me ajuda a drenar a energia do Ego para a devoção e a psicanálise, ao ponto de alcançar a disciplina que permite que o Nada se faça Presente, inclusive quando em estado de alerta do Instinto Egóico.
Depois de reorganizar minha relação com a interioridade, acolhi a meditação enquanto estado de mergulho no Agora e venho acrescentando com o tempo algumas práticas de ioga, como a posição de Buda, a atenção as virtudes, o estudo da sabedoria ancestral.
Orar e vigiar. Estar em diálogo interno com os céus e em estado de alerta com o mundo é meditação. Porém, na maior parte do tempo o diálogo interno acontece entre 2 personagens projetados de forma hipnótica na realidade interior, de um lado quem pensa e de outro a resposta emocional diante da projeção instantânea de imagens do que se pensou. falamos sozinh@s enquanto calad@s.
Com Osho descobri que o silêncio que praticava com Krishnamurt era falso. Fechar a boca não é suficiente para calar a fala em mim. Passei a entoar o mantra “Não seja falsa, ridícula, sentada que nem Buda e tagarelando sem parar. O silêncio. O Nada. A devoção. Mergulhe!” Mas, só ficou perfeito quando acrescentei o foco na resPIRAÇÃO. "Ouvir o silêncio. Olhar o Nada. Sentir a respiração."
Quando o diálogo interior acontece com a Divindade, a Sabedoria, a Verdade, ainda que estejamos projetando as respostas encontradas nos Estudos e por isso falsas, será aprazível monologar e por isso mais difícil de despertar a hipnose.
Mas, liberdade mesmo está em Me reconhecer como quem não sabe, num mundo que sabe menos ainda que EU e Me abrir O VAZIO para escutar a resposta que vem do silêncio inesperado, anunciada na vida.
Cega e sem guia, sigo eu e o mundo em mim...



