sexta-feira, 8 de julho de 2016

Um ACORDO, um ACORDE, um ACERTO


  

Eu era criança quando meus pais romperam com a cultura evangélica, tradição na família a duas gerações e assumiram a cultura “do mundo” com suas tradições comerciais, passando a orientar suas virtudes para ganhos materiais, conquistando o “céu” aqui mesmo e antes da morte. Estavam convencidos de que Deus não passava de invenção de homens para dominar homens...                     

O tempo passou, o suor trouxe prosperidade. Quando chegaram os netos, meu pai passou a vestir-se de Papai Noel para garantir a alegria das crianças e ficava tão convincente que os vizinhos passaram a deixar os presentes de seus filhos com ele na véspera para que o bom velhinho visitasse suas casas.


Quando meu sobrinho cresceu, chegou o momento de contar a ele a verdade e desfazer a fantasia. Pense numa criança frustrada, indignada, magoada, traída. Durante alguns natais, toda vez que ele passava por um homem fantasiado de Papai Noel, cercado de criancinhas, gritava: _ Falsário! E procurava alertar os inocentes: _ Papai Noel não existe! É tudo mentira!

São muitas as fantasias que orientam nossa cultura e nem sempre sabemos lidar com a revelação da verdade e amadurecer com o mito. Meu mundo encantado chamava-se ESTADO DEMOCRÁTICO REPRESENTATIVO, criado para nos libertar dos tiranos... Lembro-me de, na infância, brincar de escritório com os panfletos que jorravam nas ruas durante as eleições, das discussões acaloradas dos adultos, as bandeiras coloridas, distribuição de camisetas, uma festa... 


O primeiro voto a gente nunca esquece. Votei no “Caçador de Marajás”!

Bons cidadãos dedicam-se a seus projetos pessoais – casar, ter filho, escrever um livro e plantar uma árvore – enquanto políticos eleitos estão trabalhando para garantir segurança, educação, alimentação, moradia, transporte, lazer do coletivo... igualdade, fraternidade, liberdade! 

Trabalhar, pagar impostos e votar:  _Não pense em crise, trabalhe!

A verdade me foi revelada no curso de Ciências Sociais, depois de ler livros como O Abolicionismo, de Joaquim Nabuco (www.culturabrasil.org/zip/o abolicionismo.pdf), A Ética Protestante e o Espírito Capitalista, de Weber, de entender a diferença entre Estado (responsável pelo serviço público, sempre sucateado) e Governo (grupos orientados pelo poder de controlar pessoas, riquezas e terras. Violento e mentiroso.). A descrença tomou conta de meu ser, deixei de votar. Estou entre os 29% da população que em 2014 não votou.

Foi duro reconhecer que ninguém está cuidando de minha segurança, ou da educação das crianças... Papai Noel não existe! É preciso arregaçar as mangas e fazer o trabalho que precisa ser feito. É preciso ser a mudança que quero ver acontecer no mundo. Participo das decisões políticas em Conselhos, Fóruns, Consultas Públicas.

Ou a gente faz parte da solução ou somos o problema.


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