Um abraço, um laço, afago: Potência.
Medo. Violação!
Nós, do sexo feminino, relacionamo-nos
com a potencia da violação desde o início de nossa educação
doméstica. Mensagens subliminares e diretas nos fazem identificar e
entender quanto a nossa posição no jogo relacional entre sexos
opostos e, também, diante da sociedade. Atendemos. Atentamos por
Mérito. Dificilmente uma mulher brasileira chega a idade adulta sem
sofrer nenhum abuso violento, violação de direito ou assédio por
subordinação sexual.
Nosso ventre é sagrado e, como tudo o
que é sagrado, que gera vida, pertence as leis do homem, antes que a
de deus. Mas, diante de Estado de direito e de moral instituídos o
nascituro tem mais dignidade do que o ventre que o dá vida. O resto
é adulteração.
Somos frágeis, delicadas como o rosa
(cor do sangue diluído em branco, cor da pureza), para não
assustar, nem atiçar, porque é lógico: Se é casto só pode ser
acessado por violação, o ventre entregue de bom grado não tem
pudor, nem castidade, nem valor. O medo comprova a castidade,
pertence a nossa esfera de emoção, que é oposta ao azul marinho e
celestial.
Danças que exibem e sacodem o ventre
são demonizadas e criminalizadas entre nós.
Atiçam o fogo interno, vermelho, único
capaz de romper o medo.
Mentes incendiárias, vigorosas,
violentas.
Consumidas. Comedidas.
Comercializadas.
Entorpecidas. Enebriadas. Extasiadas,
alimentam o fogo, afastam-se do medo.
Das labaredas incandescentes do
vermelho interior nasce a coragem.
Que compromisso pode se ter com o fogo
que queima em nossas entranhas além das delícias que nosso mundo
interior pode nos fazer celebrar e contemplar diante da Criação?
Como acordar num diálogo com alguém
que reconhecemos por oposição, quando estar em oposição ao outro
é tudo o que nos define diante desse outro? Apenas tornando-nos o
outro, opondo-nos por consequência e posição a quem éramos
anteriormente. Pulando de um polo ao outro e do outro de volta ao
primeiro. Do masculino ao feminino. Do in ao yang. Do positivo para o
negativo.
Da matéria para a energia, sabemos,
oscila toda a criação, do ponto de vista da física quântica.
“Eu posso ser você, sem deixar de
ser eu.”
(O Brasil de Darci Ribeiro, Ana Maria
Magalhães.)
Mas, Aceitamos o medo com seu frio
bloqueio das energias, do fluxo do fogo por nossas veias, paralisando
nossos impulsos autênticos, interiores, criadores. Ardentes
labaredas que surgem entre nossas pernas, abafadas num cruzar de
pudor ardido em brasa.
Adoecemos em zonas de confortável
recuperação permanente da coragem de viver em busca de um sentido
para a rotina diária de existir, intelectual e afetiva, ainda que
sexual, no mundo onde afogamos as mágoas e o ganso.
Sentir tudo. Sentir total.
“_ Tenho medo de ter medo.” Eu
costumava dizer aos 19 anos de idade, enquanto fugia de meus medos
sentidos.
Depois dos 40, sempre que identifico o
medo habitando minhas entranhas, todo meu interior movimenta-se em
busca frenética de conhecer tal sentimento, como faria um médico se
soubesse o mal que tal emoção provoca ao organismo humano e ao meio
ambiente terrestre. Procuro me curar do medo. Atenta a fonte de
crença de onde surge o medo e ao propósito de prudência que ele
pode me deixar de legado.
Sigo em mim, mas isso cansa.
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