sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

De boa fé e com seriedade






Está a cada dia mais indigna a vida institucionalizada entre nós. Tornamo-nos indiferentes a nós mesmos? Tornamo-nos números?

Existe um palco onde uma novela política é encenada e comentada por analistas, enquanto a verdadeira política acontece no dia-a-dia do território, em família, nas ruas. Não olhamos para a vida, mas para a tela que fala da vida. Não comentamos a vida, mas os fatos narrados na tela em rede nacional. Concluímos dialogando com a conclusão dos especialistas, autoridades nos fatos narrados. Não olhamos para quem somos, mas para como estamos retratados na tela. Construímos não o mundo que escolhemos, mas o que surge em consequência às obrigações diárias que obedecemos cegamente.

"É preciso estar atento e forte, não temos tempo de temer a morte."
É preciso considerar o contexto histórico consequente que nos trouxe até aqui.

Segundo os noticiários mostram todos os dias desde a chegada da imprensa em nosso território, o Legislativo e o Executivo estão comprometidos até a alma na manipulação da distribuição de força e riqueza extraída de nossa natureza exuberante, assim desviadas do bem comum para o bem privado.

A fraude na indústria de Petróleo que temos visto noticiada, somada a extração incessante de madeira, terra, minério e água de nosso solo pela construção civil e produção industrial comprova a inexistência de instituições econômicas, políticas ou culturais representativas do bem comum em nosso território.

Os índices de assassinato equipara-se aos de guerra declarada, sempre com envolvimento, cumplicidade ou indiferença estatal. Nossa guerra é cínica e a manipulação é concreta.

Temos que diferenciar o Estado no Brasil, do Estado Brasileiro: um monopoliza direitos, outro garantiria direitos. Riqueza não se traduz por dinheiro: um brota no solo e no meio ambiente e outro brota nos bancos.

Segundo o ex-ministro Maílson da Nóbrega, em seu livro “O futuro chegou: instituições e desenvolvimento no Brasil”, a solidez das instituições econômicas é o pré requisito para manter o sistema democrático, indispensável para o desenvolvimento rumo a um país rico. Isso dito ao mesmo tempo em que afirma que ditaduras não são capazes de enriquecer o país, “esquecendo” que nossas instituições todas são filhas de sucessivas ditaduras, nascem do e correspondem ao pensamento, mentalidade, cultura tirânica, antropocêntrica. Como aceitar a ideia de que a democracia deva se sustentar sobre alicerces ditadores? (Ou que a violência leva a paz...???)

Nossas instituições impõem prioridades e perspectivas estrangeiras, pensadas pelo alto clero acadêmico, político e publicitário que ocupam o Governo Federal, formados no exterior. Do diálogo das negociações e disputas internacionais de poder, nascem políticas públicas assim pactuadas e impostas de forma vertical sobre a base da sociedade, que se vê obrigada a trabalhar na construção dessas decisões. O esforço de toda a nação a serviço do interesse alheio.

No contexto dessa globalização, democracia não passa de alegoria, instrumento de dominação.

Desde o Tratado das Tordesilhas, até o Rio+20, como falar de democracia? Da mesma forma, como falar de cidadão? Não somos descendentes dos filhos de Israel, mas seguimos suas leis (Negar nossa ancestralidade original para adotar a de Jesus é seguir as escrituras sem encontrar sabedoria nelas.). Não participamos do super-lucro das bolsas internacionais, mas participamos de suas super quebras (olho para o trabalho dos cartunistas franceses sabendo ser resultado de mentes formadas nas melhores Academias civilizadas e desconfio...).

Que referência temos de exercício do sistema de poder, de justiça e de moeda se tudo nos chega alheio a nós? Que domínio possuímos dessa cultura de méritos? Que mérito possuímos nessa cultura de domínio?

Olho para meus ancestrais, pais, avôs e bisavós e só encontro violação de direitos institucionais e exercício da sobrevivência marginal, mesmo que subserviente. Doenças múltiplas e multiplicadas. Uns mais inteligentes, outros menos talentosos e, ainda que violentos, sempre com boa fé e seriedade.

É preciso ter excedente para ter mercado.
É preciso ter supridas necessidades básicas DE TODOS para ter excedente.
É preciso, antes de tudo, que as instituições reguladoras nasçam no território, da lógica local empoderada. As esferas de poder precisam se justificar no amadurecimento de acordos locais. A cultura ética e moral ancestral, das famílias, comunidades, vizinhanças, precisa estar presente nas instituições todas.

Apenas a comunidade local unida oferece as bases autenticas a construção do pacto entre povos que ocupam o território, garantindo .de poder soberano e representativo dos

E lá se foram 5014 anos...

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