Como superar o medo sem ser por meio de
seu oposto, virtude singular ao homem, a coragem?
Falsidade.
Outro atributo comumente atribuído a
nós, mulheres, em folhetins e best sellers diversos. Escrituras
sacralizadas com esse entendimento por verdade.
Disfarçar o medo não é o mesmo que
ter coragem, mas, para esconder a coragem é preciso uma abençoada
dose de falsidade.
Fingimos satisfação com a chegada do
cliente. Fingimos ter orgasmos. Disfarçamos a voz ao telefone em
ambiente de trabalho. A vida. Ô, vida! Fingimos na frente das
crianças e dos vizinhos. Fingimos não ter orgasmos. Falsas desde
criancinhas. Fingindo na frente da mamãe. Prendemos o choro. Dizemos
“obrigado” e “por favor”, educados a ser servido com polidez
ensaiada e frieza controlada civilizadamente.
Medidas sócio-educativas precisam ser
melhor implementadas na formação de nossos jovens, adolescentes.
Concordamos (mas é falsidade).
União.
Impedida a aliança, tendo na por
imposição. O acasalamento como vínculo "mono-relacional" biológico, espiritual e de estado diante da sociedade.
Não faça promessas, nem se comprometa
como o amanhã, porque a Deus pertence. Diz a sabedoria que juramos
com falsidade quando impomos a tradição da união com votos de
castidade e fidelidade. Penhoramos nossa libido até que a morte nos
alcance. Castramos nosso espírito, sempre ávido por renascer com o
amanhecer. Novo. Condenado em prestações da casa própria a ser
sempre o mesmo, igual e velho, um pouco mais amanhã. Juramos amor
eterno. Aconselhamos: Disfarça
esse sentimento! Assuma uma prestação! Arrume um emprego!
Somos aquele que reina sobre as
emoções. O dominador das emoções diante do espírito. O livre
arbítrio. O espírito humano repudia, despreza o que é obrigatório
e valoriza o que é proibido, com a mesma naturalidade com que a
gravidade acolhe o pão que chega ao chão com a manteiga para baixo.
Mas, o livre arbítrio, mesmo sentindo
todo o desprezo, acha inteligente obedecer e mesmo repudiando, segue
em distrações. Batemos o prego nas mãos de cristo e a enfiamos na
cruz que carregamos, pedindo perdão por tê-lo feito: cruzadas,
negreiros e faixas de gaza. Dominadores. Seguimos na falsidade
acomodada, resistente.
Para romper com o medo, sem adotar a falsidade, é preciso acolher o coração!
_ Eu posso ser você, sem deixar de ser
eu.
Existe sagrado no profano.
Existe profano no sagrado.
2014: Adão e Eva jamais existiram!
Afirmam afirmou o Papa Francisco.
E agora, o que os padres vão dizer de nós,
mulheres, nas igrejas?
Medo e falsidade, frutos da imposição
e consequente aceitação da mentira. Falsidade ideológica.
Falsidade cultural.
"Vivemos tempos em que o ser humanos engana e a se deixar enganar." Dizem escrituras sagradas orientais.
Podemos não conhecer a verdade.
Podemos. Podemos não, apresentarmo-nos com respostas sem tê-las de
fato. Má fé. Isso, não pode.
Não sabemos o que não sabemos.
Sabemos o que sabemos. Escrevemos e
lemos nos jornais todos os dias tudo o que sabemos.
Sabemos!


