terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Ainda sobre o medo





Como superar o medo sem ser por meio de seu oposto, virtude singular ao homem, a coragem?

Falsidade.

Outro atributo comumente atribuído a nós, mulheres, em folhetins e best sellers diversos. Escrituras sacralizadas com esse entendimento por verdade.

Disfarçar o medo não é o mesmo que ter coragem, mas, para esconder a coragem é preciso uma abençoada dose de falsidade.

Fingimos satisfação com a chegada do cliente. Fingimos ter orgasmos. Disfarçamos a voz ao telefone em ambiente de trabalho. A vida. Ô, vida! Fingimos na frente das crianças e dos vizinhos. Fingimos não ter orgasmos. Falsas desde criancinhas. Fingindo na frente da mamãe. Prendemos o choro. Dizemos “obrigado” e “por favor”, educados a ser servido com polidez ensaiada e frieza controlada civilizadamente.

Medidas sócio-educativas precisam ser melhor implementadas na formação de nossos jovens, adolescentes. Concordamos (mas é falsidade).

União.

Impedida a aliança, tendo na por imposição. O acasalamento como vínculo "mono-relacional" biológico, espiritual e de estado diante da sociedade.

Não faça promessas, nem se comprometa como o amanhã, porque a Deus pertence. Diz a sabedoria que juramos com falsidade quando impomos a tradição da união com votos de castidade e fidelidade. Penhoramos nossa libido até que a morte nos alcance. Castramos nosso espírito, sempre ávido por renascer com o amanhecer. Novo. Condenado em prestações da casa própria a ser sempre o mesmo, igual e velho, um pouco mais amanhã. Juramos amor eterno. Aconselhamos: Disfarça esse sentimento! Assuma uma prestação! Arrume um emprego!

Somos aquele que reina sobre as emoções. O dominador das emoções diante do espírito. O livre arbítrio. O espírito humano repudia, despreza o que é obrigatório e valoriza o que é proibido, com a mesma naturalidade com que a gravidade acolhe o pão que chega ao chão com a manteiga para baixo.

Mas, o livre arbítrio, mesmo sentindo todo o desprezo, acha inteligente obedecer e mesmo repudiando, segue em distrações. Batemos o prego nas mãos de cristo e a enfiamos na cruz que carregamos, pedindo perdão por tê-lo feito: cruzadas, negreiros e faixas de gaza. Dominadores. Seguimos na falsidade acomodada, resistente.

Para romper com o medo, sem adotar a falsidade, é preciso acolher o coração!

_ Eu posso ser você, sem deixar de ser eu.

Existe sagrado no profano.
Existe profano no sagrado.


2014: Adão e Eva jamais existiram! Afirmam afirmou o Papa Francisco.

E agora, o que os padres vão dizer de nós, mulheres, nas igrejas? 

Medo e falsidade, frutos da imposição e consequente aceitação da mentira. Falsidade ideológica. Falsidade cultural.

"Vivemos tempos em que o ser humanos engana e a se deixar enganar." Dizem escrituras sagradas orientais.

Podemos não conhecer a verdade. Podemos. Podemos não, apresentarmo-nos com respostas sem tê-las de fato. Má fé. Isso, não pode.

Não sabemos o que não sabemos.

Sabemos o que sabemos. Escrevemos e lemos nos jornais todos os dias tudo o que sabemos. 
Sabemos!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Sobre o medo





Um abraço, um laço, afago: Potência. Medo. Violação!

Nós, do sexo feminino, relacionamo-nos com a potencia da violação desde o início de nossa educação doméstica. Mensagens subliminares e diretas nos fazem identificar e entender quanto a nossa posição no jogo relacional entre sexos opostos e, também, diante da sociedade. Atendemos. Atentamos por Mérito. Dificilmente uma mulher brasileira chega a idade adulta sem sofrer nenhum abuso violento, violação de direito ou assédio por subordinação sexual.

Nosso ventre é sagrado e, como tudo o que é sagrado, que gera vida, pertence as leis do homem, antes que a de deus. Mas, diante de Estado de direito e de moral instituídos o nascituro tem mais dignidade do que o ventre que o dá vida. O resto é adulteração.

Somos frágeis, delicadas como o rosa (cor do sangue diluído em branco, cor da pureza), para não assustar, nem atiçar, porque é lógico: Se é casto só pode ser acessado por violação, o ventre entregue de bom grado não tem pudor, nem castidade, nem valor. O medo comprova a castidade, pertence a nossa esfera de emoção, que é oposta ao azul marinho e celestial.

Danças que exibem e sacodem o ventre são demonizadas e criminalizadas entre nós.
Atiçam o fogo interno, vermelho, único capaz de romper o medo.

Mentes incendiárias, vigorosas, violentas.
Consumidas. Comedidas. Comercializadas.
Entorpecidas. Enebriadas. Extasiadas,
alimentam o fogo, afastam-se do medo.

Das labaredas incandescentes do vermelho interior nasce a coragem.

Que compromisso pode se ter com o fogo que queima em nossas entranhas além das delícias que nosso mundo interior pode nos fazer celebrar e contemplar diante da Criação?

Como acordar num diálogo com alguém que reconhecemos por oposição, quando estar em oposição ao outro é tudo o que nos define diante desse outro? Apenas tornando-nos o outro, opondo-nos por consequência e posição a quem éramos anteriormente. Pulando de um polo ao outro e do outro de volta ao primeiro. Do masculino ao feminino. Do in ao yang. Do positivo para o negativo.

Da matéria para a energia, sabemos, oscila toda a criação, do ponto de vista da física quântica.

“Eu posso ser você, sem deixar de ser eu.”
(O Brasil de Darci Ribeiro, Ana Maria Magalhães.)

Mas, Aceitamos o medo com seu frio bloqueio das energias, do fluxo do fogo por nossas veias, paralisando nossos impulsos autênticos, interiores, criadores. Ardentes labaredas que surgem entre nossas pernas, abafadas num cruzar de pudor ardido em brasa.

Adoecemos em zonas de confortável recuperação permanente da coragem de viver em busca de um sentido para a rotina diária de existir, intelectual e afetiva, ainda que sexual, no mundo onde afogamos as mágoas e o ganso.

Sentir tudo. Sentir total.

“_ Tenho medo de ter medo.” Eu costumava dizer aos 19 anos de idade, enquanto fugia de meus medos sentidos.

Depois dos 40, sempre que identifico o medo habitando minhas entranhas, todo meu interior movimenta-se em busca frenética de conhecer tal sentimento, como faria um médico se soubesse o mal que tal emoção provoca ao organismo humano e ao meio ambiente terrestre. Procuro me curar do medo. Atenta a fonte de crença de onde surge o medo e ao propósito de prudência que ele pode me deixar de legado.

Sigo em mim, mas isso cansa.  

De boa fé e com seriedade






Está a cada dia mais indigna a vida institucionalizada entre nós. Tornamo-nos indiferentes a nós mesmos? Tornamo-nos números?

Existe um palco onde uma novela política é encenada e comentada por analistas, enquanto a verdadeira política acontece no dia-a-dia do território, em família, nas ruas. Não olhamos para a vida, mas para a tela que fala da vida. Não comentamos a vida, mas os fatos narrados na tela em rede nacional. Concluímos dialogando com a conclusão dos especialistas, autoridades nos fatos narrados. Não olhamos para quem somos, mas para como estamos retratados na tela. Construímos não o mundo que escolhemos, mas o que surge em consequência às obrigações diárias que obedecemos cegamente.

"É preciso estar atento e forte, não temos tempo de temer a morte."
É preciso considerar o contexto histórico consequente que nos trouxe até aqui.

Segundo os noticiários mostram todos os dias desde a chegada da imprensa em nosso território, o Legislativo e o Executivo estão comprometidos até a alma na manipulação da distribuição de força e riqueza extraída de nossa natureza exuberante, assim desviadas do bem comum para o bem privado.

A fraude na indústria de Petróleo que temos visto noticiada, somada a extração incessante de madeira, terra, minério e água de nosso solo pela construção civil e produção industrial comprova a inexistência de instituições econômicas, políticas ou culturais representativas do bem comum em nosso território.

Os índices de assassinato equipara-se aos de guerra declarada, sempre com envolvimento, cumplicidade ou indiferença estatal. Nossa guerra é cínica e a manipulação é concreta.

Temos que diferenciar o Estado no Brasil, do Estado Brasileiro: um monopoliza direitos, outro garantiria direitos. Riqueza não se traduz por dinheiro: um brota no solo e no meio ambiente e outro brota nos bancos.

Segundo o ex-ministro Maílson da Nóbrega, em seu livro “O futuro chegou: instituições e desenvolvimento no Brasil”, a solidez das instituições econômicas é o pré requisito para manter o sistema democrático, indispensável para o desenvolvimento rumo a um país rico. Isso dito ao mesmo tempo em que afirma que ditaduras não são capazes de enriquecer o país, “esquecendo” que nossas instituições todas são filhas de sucessivas ditaduras, nascem do e correspondem ao pensamento, mentalidade, cultura tirânica, antropocêntrica. Como aceitar a ideia de que a democracia deva se sustentar sobre alicerces ditadores? (Ou que a violência leva a paz...???)

Nossas instituições impõem prioridades e perspectivas estrangeiras, pensadas pelo alto clero acadêmico, político e publicitário que ocupam o Governo Federal, formados no exterior. Do diálogo das negociações e disputas internacionais de poder, nascem políticas públicas assim pactuadas e impostas de forma vertical sobre a base da sociedade, que se vê obrigada a trabalhar na construção dessas decisões. O esforço de toda a nação a serviço do interesse alheio.

No contexto dessa globalização, democracia não passa de alegoria, instrumento de dominação.

Desde o Tratado das Tordesilhas, até o Rio+20, como falar de democracia? Da mesma forma, como falar de cidadão? Não somos descendentes dos filhos de Israel, mas seguimos suas leis (Negar nossa ancestralidade original para adotar a de Jesus é seguir as escrituras sem encontrar sabedoria nelas.). Não participamos do super-lucro das bolsas internacionais, mas participamos de suas super quebras (olho para o trabalho dos cartunistas franceses sabendo ser resultado de mentes formadas nas melhores Academias civilizadas e desconfio...).

Que referência temos de exercício do sistema de poder, de justiça e de moeda se tudo nos chega alheio a nós? Que domínio possuímos dessa cultura de méritos? Que mérito possuímos nessa cultura de domínio?

Olho para meus ancestrais, pais, avôs e bisavós e só encontro violação de direitos institucionais e exercício da sobrevivência marginal, mesmo que subserviente. Doenças múltiplas e multiplicadas. Uns mais inteligentes, outros menos talentosos e, ainda que violentos, sempre com boa fé e seriedade.

É preciso ter excedente para ter mercado.
É preciso ter supridas necessidades básicas DE TODOS para ter excedente.
É preciso, antes de tudo, que as instituições reguladoras nasçam no território, da lógica local empoderada. As esferas de poder precisam se justificar no amadurecimento de acordos locais. A cultura ética e moral ancestral, das famílias, comunidades, vizinhanças, precisa estar presente nas instituições todas.

Apenas a comunidade local unida oferece as bases autenticas a construção do pacto entre povos que ocupam o território, garantindo .de poder soberano e representativo dos

E lá se foram 5014 anos...

Cultura coletiva, produção seletiva.



Os meios de comunicação não comunicam, distraem na informação. Enfatizam óticas, silenciam ecos retumbantes, implodem fatos, fragmentam correntes criativas, intoxicam o imaginário, enquadram expressão.

Premissas inconsistentes sustentam a razão e a lógica segue distraída em círculos dialéticos. Currais intelectuais.

Qual seu ponto de partida? Tábula rasa? Ainda?
Como romper sem confrontar?
Interferir sem locupletar?

É Preciso ir além!