Estamos vivendo um momento social muito importante, nunca tivemos tanto acesso a informação, nunca houve tanta luz, as trevas nunca estiveram tão reveladas. É chegado o momento de deixar cair a ilusão.
Votei pela primeira vez antes dos 18 anos, sofri a indignação da traição a cada nova eleição. O político candidato é a solução, depois de eleito, ladrão. Depois do Lula decidi analisar criticamente como tudo isso funciona.
O que observo são alianças utilitárias transferindo votos dados ao legislativo entre partidos ideologicamente antagônicos, em regras tão difusas que é impossível ao eleitor comum saber para onde foi seu voto.
O que observo são candidatos rejeitados nas urnas, assumindo cargos de secretários, ministros e gestores de instituições públicas.
O que observo são legisladores eleitos abandonando seus mandatos em favor de suplentes que nunca receberam um voto na vida.
O que observo são candidatos ao executivo abandonando compromissos e ideologias no correr do mandato sem qualquer constrangimento. Abandonando mandatos aos vices para lançar nova candidatura atendendo a estrategias utilitárias partidárias.
O que observo são campanhas eleitorais tratadas como um negócio onde ganhar ou perder não se traduz na posse do cargo, mas em acordos e influências pós eleitoreiras, feitos à custa da administração pública.
Nesse ponto entendi que os eleitores são a parte simbólica e utilitária, esse sistema ao mesmo tempo que cria a fantasia da participação política, transfere a responsabilidade a população pela incapacidade moral, ética e ideológica das elites políticas, econômicas, religiosas e acadêmicas.
Entendi, também, que ao decidir preencher os cargos de comando no território por meio de campanhas publicitárias, de 2 em 2 anos a sociedade se divide em grupos rivais que,ao invés de somarem esforços para vencer o enorme desafio que é manter uma população diversificada e desigual compartilhando o mesmo meio ambiente, promovendo o fortalecimento mútuo indispensável para vencer a ameaça de ataques vindos de outros territórios e das próprias mazelas da natureza, inclusive a humana, procuram se destruir mutuamente.
Nesse ponto entendi, também, que existe uma outra política acontecendo distante da grande mídia e da política eleitoreira, conheci os movimentos populares, que atuam em campanhas ininterruptas, sem grandes cisões internas durante a eleição, resistindo a elas e somando conquistas silenciosas mas consistentes: movimento de mulheres, afrobrasileiros, ambientalistas, gays, agricultores familiares... pouco importando o resultado das urnas.
DEMOCRACIA ACONTECE COM PARTICIPAÇÃO.
Nesse ponto comecei a exercitar meu ser político em fóruns, conselhos, sindicatos, reuniões de condomínios, jornais de bairro, enfim, todos os espaços onde o exercício político se faz diretamente.
Com consciência, é isso!



