terça-feira, 4 de outubro de 2016

Só é democracia se for participativa!

Estamos vivendo um momento social muito importante, nunca tivemos tanto acesso a informação, nunca houve tanta luz, as trevas nunca estiveram tão reveladas. É chegado o momento de deixar cair a ilusão.


Votei pela primeira vez antes dos 18 anos, sofri a indignação da traição a cada nova eleição. O político candidato é a solução, depois de eleito, ladrão. Depois do Lula decidi analisar criticamente como tudo isso funciona.
O que observo são alianças utilitárias transferindo votos dados ao legislativo entre partidos ideologicamente antagônicos, em regras tão difusas que é impossível ao eleitor comum saber para onde foi seu voto.
O que observo são candidatos rejeitados nas urnas, assumindo cargos de secretários, ministros e gestores de instituições públicas.
O que observo são legisladores eleitos abandonando seus mandatos em favor de suplentes que nunca receberam um voto na vida.
O que observo são candidatos ao executivo abandonando compromissos e ideologias no correr do mandato sem qualquer constrangimento. Abandonando mandatos aos vices para lançar nova candidatura atendendo a estrategias utilitárias partidárias.
O que observo são campanhas eleitorais tratadas como um negócio onde ganhar ou perder não se traduz na posse do cargo, mas em acordos e influências pós eleitoreiras, feitos à custa da administração pública.
Nesse ponto entendi que os eleitores são a parte simbólica e utilitária, esse sistema ao mesmo tempo que cria a fantasia da participação política, transfere a responsabilidade a população pela incapacidade moral, ética e ideológica das elites políticas, econômicas, religiosas e acadêmicas.
Entendi, também, que ao decidir preencher os cargos de comando no território por meio de campanhas publicitárias, de 2 em 2 anos a sociedade se divide em grupos rivais que,ao invés de somarem esforços para vencer o enorme desafio que é manter uma população diversificada e desigual compartilhando o mesmo meio ambiente, promovendo o fortalecimento mútuo indispensável para vencer a ameaça de ataques vindos de outros territórios e das próprias mazelas da natureza, inclusive a humana, procuram se destruir mutuamente.
Nesse ponto entendi, também, que existe uma outra política acontecendo distante da grande mídia e da política eleitoreira, conheci os movimentos populares, que atuam em campanhas ininterruptas, sem grandes cisões internas durante a eleição, resistindo a elas e somando conquistas silenciosas mas consistentes: movimento de mulheres, afrobrasileiros, ambientalistas, gays, agricultores familiares... pouco importando o resultado das urnas.

DEMOCRACIA ACONTECE COM PARTICIPAÇÃO.
Nesse ponto comecei a exercitar meu ser político em fóruns, conselhos, sindicatos, reuniões de condomínios, jornais de bairro, enfim, todos os espaços onde o exercício político se faz diretamente.
Com consciência, é isso!

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Um ACORDO, um ACORDE, um ACERTO


  

Eu era criança quando meus pais romperam com a cultura evangélica, tradição na família a duas gerações e assumiram a cultura “do mundo” com suas tradições comerciais, passando a orientar suas virtudes para ganhos materiais, conquistando o “céu” aqui mesmo e antes da morte. Estavam convencidos de que Deus não passava de invenção de homens para dominar homens...                     

O tempo passou, o suor trouxe prosperidade. Quando chegaram os netos, meu pai passou a vestir-se de Papai Noel para garantir a alegria das crianças e ficava tão convincente que os vizinhos passaram a deixar os presentes de seus filhos com ele na véspera para que o bom velhinho visitasse suas casas.


Quando meu sobrinho cresceu, chegou o momento de contar a ele a verdade e desfazer a fantasia. Pense numa criança frustrada, indignada, magoada, traída. Durante alguns natais, toda vez que ele passava por um homem fantasiado de Papai Noel, cercado de criancinhas, gritava: _ Falsário! E procurava alertar os inocentes: _ Papai Noel não existe! É tudo mentira!

São muitas as fantasias que orientam nossa cultura e nem sempre sabemos lidar com a revelação da verdade e amadurecer com o mito. Meu mundo encantado chamava-se ESTADO DEMOCRÁTICO REPRESENTATIVO, criado para nos libertar dos tiranos... Lembro-me de, na infância, brincar de escritório com os panfletos que jorravam nas ruas durante as eleições, das discussões acaloradas dos adultos, as bandeiras coloridas, distribuição de camisetas, uma festa... 


O primeiro voto a gente nunca esquece. Votei no “Caçador de Marajás”!

Bons cidadãos dedicam-se a seus projetos pessoais – casar, ter filho, escrever um livro e plantar uma árvore – enquanto políticos eleitos estão trabalhando para garantir segurança, educação, alimentação, moradia, transporte, lazer do coletivo... igualdade, fraternidade, liberdade! 

Trabalhar, pagar impostos e votar:  _Não pense em crise, trabalhe!

A verdade me foi revelada no curso de Ciências Sociais, depois de ler livros como O Abolicionismo, de Joaquim Nabuco (www.culturabrasil.org/zip/o abolicionismo.pdf), A Ética Protestante e o Espírito Capitalista, de Weber, de entender a diferença entre Estado (responsável pelo serviço público, sempre sucateado) e Governo (grupos orientados pelo poder de controlar pessoas, riquezas e terras. Violento e mentiroso.). A descrença tomou conta de meu ser, deixei de votar. Estou entre os 29% da população que em 2014 não votou.

Foi duro reconhecer que ninguém está cuidando de minha segurança, ou da educação das crianças... Papai Noel não existe! É preciso arregaçar as mangas e fazer o trabalho que precisa ser feito. É preciso ser a mudança que quero ver acontecer no mundo. Participo das decisões políticas em Conselhos, Fóruns, Consultas Públicas.

Ou a gente faz parte da solução ou somos o problema.


terça-feira, 15 de março de 2016

Os porões ideológicos da ditadura.

“Eles venceram e o sinal está fechado para nós...” até quando?

Gostamos de citar a Revolução Francesa como sendo o ideal sobre o qual se constrói o pensamento político moderno brasileiro, nossa constituição tira dali a ideia de Estado Laico, com “independência” em relação a Igreja, porém 217 anos e milhares de mortos não foram suficientes para efetivar essa ideia na França, muito menos no Brasil.

Sem alarido, seguimos política e economicamente as regras inglesas desde a vinda da família real, que aqui chega escoltada pela marinha anglicana em 1808 (COM A IMPRENSA, A BIBLIOTECA NACIONAL, O BANCO CENTRAL E O JARDIM BOTÂNICO). País que segue com a monarquia e dando poder político aos religiosos cristãos até os dias atuais. Com uma Constituição não-escrita, seguem prerrogativas reais (da realeza...) ou seja, o pensamento de quem segue as leis escritas na Bíblia.

Depois de 1.000 anos tendo suas cabeças (que nem podemos chamar de pensantes), sob o domínio absoluto e a serviço da retórica encontrada nos livros dos antigos hebreus (e sob orientações do romano de Tarso), a restrita elite européia “protesta”, “renasce” e... escolhe retroceder a pensamentos tão antigos quanto os da Bíblia e igualmente fragmentados: Platão, Aristóteles, Pitágoras. Quando poderia, e ainda pode, ir mais além... (se abrir para a cultura oferecida pelo “novo mundo” ou mesmo pela Índia, China, tão antigas quanto aquelas porém vivas... mas, não.)

O inglês Thomas Hobbis, em seu Leviatã, afirma que o homem é naturalmente mau, inclinado a disputas, inveja e injustiça e assim propõe o “novo” Contrato Social inquebrantável, Sistema Político onde todos devem abrir mão da própria autonomia em nome do Estado, único soberano que deve se impor pela força violenta, monopólio autorizado a priori e inquestionável. Concordando, não coincidentemente, com a visão de mundo imposta por 1.000 anos em sua ancestralidade: a versão de pecado original. Sendo que o Deus que se deve temer não manda mais dilúvios e pragas, bota o exército na rua.

ESSA É A IDEIA QUE SE OPÕE A DE DIREITOS HUMANOS UNIVERSAIS, e que está na cabeça daqueles que rejeitam Paulo Freire: a Bíblia de acordo com a interpretação religiosa. Os direitos não são para todos os humanos, mas apenas para quem está no mérito da graça, quem faz parte da família escolhida por "Deus".

Simples assim, chegamos até aqui sem sair do lugar.

Em nossa DEMOcraC.I.A. a elite capital se parte em Partidos e oferece aqueles dentre eles, iguais a eles, da família deles, (antes servos agora) assessores deles, educados, doutrinados e aprovados méritos por eles em quem o povo deve votar.

Prudentes, dos 3 Poderes Políticos considerados no Estado, concedem ao povo a escolha do cabeça do Executivo, mas distribuem o corpo (ministerial, de Secretários e Assessores) entre seus clientes, sem arbítrio popular; já no Legislativo fazem o oposto, oferecem o corpo ao povo (mas, usam a estratégia de nomear os eleitos para cargos no Executivo, assumindo suplentes o poder que nunca vieram pelo voto e assim o Partido garante o controle de todo o corpo legislaDOR) e escolhem o cabeça que preside Assembleias, Câmaras e Senado; e o Judiciário, único com poder de repressão legítimo sobre tudo e sobre todos pertence totalmente a elite, educada por ela, privilegiados como semi-deuses. Acima do bem e do mal e indiferentes ao Brasil real estão os Magistrados desse país.


Nós e os outros – a elite sabe perfeitamente identificar quem é igual a ela: aqueles que se sabem escolhidos (nasceram na família certa ou sacrificaram sua origem cultural e se converteram, aceitando a regra do jogo, conquistando salvação) com privilégios diante de Deus, Poder sobre toda a criação...

Como está no Gênesis. 
(E nós mulheres?... Bem, temos muito trabalho pela frente!)